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Carta Aberta a Gregório Duvivier

Carta Aberta a Gregório Duvivier

Carta aberta a Gregório Duvivier:

Caro comediante, achei interessante sua resposta ao Cardeal arcebispo escrita em sua coluna no Jornal Folha de São Paulo de hoje (13/01/2014 – Leia aqui). Entretanto, quero fazer uma pequena reflexão sobre o tema.

Primeiro, devo esclarecer que não sou nenhum historiador, intelectual, cientista ou coisa do tipo, tampouco sou padre ou pastor, de forma que minhas colocações são de um mero cristão autodidata, cuja única base e instrumento de defesa é a bíblia (quer você creia nela ou não).

Ao defender o vídeo intitulado “Especial de Natal”, do Porta dos Fundos, e à opinião contrária exposta por quem o considerou de “péssimo mau gosto”, você tentou alfinetar a igreja (aqui colocada como instituição, embora essa definição não seja bíblica), afirmando que o próprio homenageado não agradou. Ficou evidente, nesse ponto, que você se referiu à Jesus Cristo (a quem homenageamos no Natal), que também foi rejeitado pelos religiosos de seu tempo e acabou sendo crucificado por eles.

Realmente, Cristo sempre lutou contra a religiosidade. Melhor dizendo, contra a falsa religiosidade. Aquela escondida atrás dos suntuosos templos; de padres e pastores que se enriquecem às custas dos fieis; daqueles que pregam santidade e que se aproximam de Deus com a boca e o honram com os lábios, mas que mantém longe dele o coração (Isaías 29:13). Ao contrário disso, Jesus queria que tivéssemos intimidade com Deus. Ele nasceu, viveu e morreu apenas para nos ensinar a amar a Deus, acima de todas as coisas, e a amar ao próximo como a nós mesmos. Além disso, ele nos ensinou que “a religião pura e imaculada para com Deus e Pai, é esta: Visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações, e guardar-se da corrupção do mundo” (Tiago 1:27).

Então é verdade, você está certo, o homenageado – Jesus – não agradou aos falsos religiosos. E sim, é importante deixar bem claro que ele não agradou aos falsos religiosos. Afinal, Cristo agradou muitos religiosos de sua época também. Muitos ouviram sua mensagem e creram nele. Nicodemos é um grande exemplo disso (acredito que você sabe de quem estou falando – caso contrário leia João 3:1-21 e 19:39). Então é importante não generalizarmos. Afinal, assim como existem pessoas más que se dizem cristãs, existem péssimos comediantes que se dizem engraçados. Mas vamos em frente.

Ao continuar defendendo os erros cometidos na história pela igreja (novamente tratada aqui como instituição eivada de religiosidade – a mesma que Cristo combateu), você traz a baila nomes como Galileu Galilei, Copérnico e Giordano Bruno, que por defenderam que a terra era redonda e, este último, que o universo era infinito, foram perseguidos pela igreja que, mais uma vez, estava errada.

Novamente você tem razão. Eles estavam certos e os religiosos errados. Mas, assim como no caso de Jesus, não podemos generalizar. Afinal, nem todos os religiosos discordavam daqueles cientistas na época.

Isso mesmo. Muitos religiosos também acreditavam que a terra era redonda e que o universo era infinito. Os próprios cientistas citados em sua coluna eram religiosos (fato que você se esqueceu de mencionar ou preferiu omitir), o último, inclusive – Giordano, era teólogo formado e autor da célebre frase: “O mundo é infinito porque Deus é infinito. Como acreditar que Deus, ser infinito, possa ter se limitado a si mesmo criando um mundo fechado e limitado?”.

A verdade é que tanto Jesus quanto os cientistas citados tentaram mostrar para o povo a verdade dos fatos, ainda que tivessem que se opor aos erros da religiosidade aprisionadora e opressora. Entretanto, todos eles acreditavam em um mesmo Deus e criam e eram estudiosos das mesmas escrituras sagradas.

E, justamente por isso eles não ridicularizavam as escrituras, como muitos humoristas fazem – inclusive a turma do “Porta dos Fundos”. Ao contrário, eles tinham prazer em estudá-las. Eles liam, refletiam, buscavam a sua essência, tentavam compreender o que Deus queria lhes ensinar através daquelas linhas. Faziam isso com respeito e admiração, pois, apesar dos pensamentos científicos contrários que eles pudessem ter sobre diversos assuntos, eles criam que, espiritualmente falando, as escrituras continham as palavras de Deus para suas vidas.

Portanto, espero que você Gregório, e todos os integrantes do “Porta dos Fundos”, busquem encontrar nas escrituras sagradas a verdade libertadora de Deus, a qual nos foi manifesta através de seu filho Jesus Cristo, assim como fizeram Galileu, Copérnico e Giordano, e não apenas mais um tema para fazer piada.

E que às demais questões discordantes, principalmente as que envolvem crenças (não só o cristianismo, mas todas as demais crenças) sejam sempre tratadas com respeito.

E aos cristãos que estiverem lendo isso, um recado: Não devolva o mal com o mal, mas orem por seus inimigos, e não se entristeçam, animem-se. Leiam 2 Pedro 3.

Grande abraço,

Por Kerwin Muriel

Kerwin Muriel

É formado em Direito pela Universidade de Cuiabá e pós-graduado em Gestão Pública do Poder Judiciário pela UNIFLU-RJ. Bacharelando em Teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon. Casado com Cleynise e pai da Nicolye.

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2 Comentários

  • Muito bom Kerwin! Alguém tem que se manifestar. Mas todos leem e calam-se, e quem cala consente. Mas bem merecem uma resposta à altura de sua tamanha ignorância. Mas os hipócritas, fariseus e os hereges terão sua recompensa como bem sabemos. Adorei seu site! Muito informativo. Visitarei mais seguido. Abraços. Continue escrevendo. Não desista por falta de motivação dos leitores, faça-o mais por ti do que por qualquer outro. Sei bem como é. Deus o abençoe e lhe dê cada dia mais sabedoria.

  • Parabéns Kerwin, sua reflexão é plausível e, com certeza, diferente daquela que Gregório dedicou ao Cardeal. Ele, de forma irônica “alfinetou” o arcebispo, e a Igreja, por sua opinião acerca do vídeo do Porta dos Fundos. Você, muito sabiamente e com explícito respeito, se manifestou acerca de sua colocações omissivas e truncadas. Parabéns por defender o verdadeiro Evangelho, que é distinto de qualquer religiosidade. Nisso consiste a sabedoria que vem de Deus, não aceitar/tolerar/consentir com a sabedoria do mundo.

    PS: suas reflexões me inspiram a conhecer mais de Deus. Continue sempre nesse caminho de levar a Palavra da Verdade de uma forma profunda e estudada.
    Abraço.

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