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O pecado do descontentamento

O pecado do descontentamento

“Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, nem seus servos ou servas, nem seu boi ou jumento, nem coisa alguma que lhe pertença”.
Êxodo 20:17

Cobiça: desejo imoderado de possuir bens materiais; ambição desmedida de riquezas.

A cobiça, além de ser uma palavra negativa, é uma ação que todos nós sabemos que não devemos praticar. Por ser o último dos Dez Mandamentos de Deus, a cobiça se torna uma espécie de “ponto de exclamação”. Um alerta. Um sinal de perigo.

Deus, ao encerrar a lista dos mandamentos, sabiamente colocou esse aviso sobre a cobiça por último porque sabia, diante da sua onisciência, que nós, residentes desse mundo caído, iríamos lutar intensamente contra o nosso desejo cobiçoso. Vamos parar de rodeios, nós queremos as coisas dos outros. E se não é o bem material, é a sua vida que sinceramente desejamos.

A origem da cobiça está em nosso descontentamento. Estamos constantemente descontentes com o que fazemos, com o quanto ganhamos, com o carro que temos, com nossas vidas. Esse descontentamento é pecaminoso, pois reflete que estamos desgostosos com o plano de Deus para as nossas vidas, e que não confiamos nele.

Expressões do tipo “a grama do vizinho é sempre mais verde”, “a mulher do vizinho é mais bonita”, “o carro do amigo é mais potente”, são uma constante em nossas vidas. Vamos ser sinceros, quem nunca pensou: “Eu queria ter a vida do meu chefe, morar na casa dele, ganhar o salário que ele ganha…”?

Exemplos de descontentamento podem ser encontrados nos estágios de nossa vida. Queremos nos casar e, em seguida, nos decepcionamos porque descobrimos que nosso cônjuge não é o nosso Salvador, Jesus é. Desejamos filhos e depois, quando os temos ficamos frustrados com o quão difícil é a maternidade e a paternidade. Passamos anos estudando duro para sermos aprovados em um concurso público e, quando efetivados, invejamos àqueles que ganham dinheiro trabalhando em casa.

Nunca estamos satisfeitos, e o mundo consumista acaba alimentando essa nossa percepção de falta. Sempre tem algo a mais que precisamos ter. Nunca nos saciamos. Passamos a vida correndo como o coelho branco*, gritando “é tarde é tarde até que arde” numa busca desenfreada por uma carreira, uma vocação, uma paixão de vida. Quando alcançamos isso, sentimos que ainda falta algo, e começamos uma nova corrida atrás de outro grande desejo.

Isso significa que ter sonhos é ruim? Que desejar uma vida financeiramente melhor é pecado? Não necessariamente. Entretanto, nossos desejos podem nos atrais e nos seduzir, e acabar nos levando ao pecado e, consequentemente, a morte.

“Cada um, porém, é tentado pela própria cobiça, sendo por esta arrastado e seduzido. Então a cobiça, tendo engravidado, dá à luz o pecado; e o pecado, após ter-se consumado, gera a morte.”
Tiago 1:14-15

Quando Satanás seduziu Eva, ele fez isso dentro do contexto de seus próprios desejos. Adão e Eva desfrutavam relacionamento perfeito com Deus, mas Satanás convenceu Eva de que a fonte de sua satisfação em Deus não era suficiente.

Hoje, enfrentamos tentações como Eva a cada momento. Satanás sabe que toda a humanidade é suscetível à cobiça, e ele nos ataca pela brecha que abrimos através do pecado do descontentamento. Quantas vezes você já se sentiu desanimado, descontente? Quantas vezes você desejou ter ou ser algo mais, ou melhor? Verifique seu coração. Esse sussurro sutil de descontentamento pode se tornar como um leão que ruge de cobiça.

Aqui estão algumas dicas para controlar o descontentamento:

  1. Pratique a gratidão. Relacione as boas dádivas recebidas por Deus todos os dias. Faça uma lista diária de todas as coisas boas que Deus lhe deu. Liste também os perigos dos quais Ele te livrou. Embora possa parecer banal, uma prática ativa de gratidão reorienta nosso foco horizontal a partir da comparação de nossas vidas com a dos outros, para um foco vertical sobre a fonte de todas as coisas, Deus. Você inclui orações de agradecimento em seu tempo regular com o Senhor? Quando confrontados com um desafio, você agradece a Deus em primeiro lugar? Nossos corações estão propensos a dureza, e a forma a mantê-los macios é oferecendo orações de louvor e ações de graças.
  2. Foque no que é eterno. Você não se sente grato e suas orações de agradecimento são forçadas? Talvez você não esteja vendo sua vida como ela realmente é. Talvez você tenha esquecido que Jesus morreu em seu lugar, levando sobre si os seus pecados, e que ressuscitou para te dar vida eterna.  Isso já é motivo suficiente para você passar uma vida inteira agradecendo e glorificando a Deus. Devemos lembrar que nossa existência não é temporária, mas eterna. Quando cobiçamos ou sentimos descontentamento perdemos de vista nossa recompensa no que é eterno. Uma das principais razões que nos levam ao descontentamento ou à cobiça é esquecer o que é eterno e focar em coisas que não são. Lembre-se: a beleza desaparece; o dinheiro acaba; carros quebram; casas desmoronam (ver Lucas 12:13-21). Mas Deus quer que tenhamos um relacionamento eterno com ele, porque ele é eterno. Foque em Deus.
  3. Arranque as raízes do descontentamento através do arrependimento. Assim como Deus continua a nos santificar, o Espírito Santo continua revelando áreas de pecado. Então muitos casos, a raiz desses pecados encontra-se em nosso descontentamento. Peça então, em suas orações, que o Espírito Santo te convença desse pecado e que te dê poder para se arrepender dele. Coloque então seu coração em Jesus, que é a única verdadeira fonte de contentamento.

Leia também: 1 Timóteo 6.

Livremente adaptado do texto “The sin of my discontent”, de autoria de Marci Turner, esposa do Pastor Sutton Turner (Texto original em: Marshill).

* Coelho Branco (em inglês: White Rabbit) é uma personagem fictícia da obra literária “As Aventuras de Alice no País das Maravilhas” produzida por Lewis Carroll.

Kerwin Muriel

É formado em Direito pela Universidade de Cuiabá e pós-graduado em Gestão Pública do Poder Judiciário pela UNIFLU-RJ. Bacharelando em Teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon. Casado com Cleynise e pai da Nicolye.

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