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Respostas a um ateu

Respostas a um ateu

Certo dia fui desafiado por um amigo a responder, com base em minhas crenças, a alguns questionamentos feitos por André Lorulot, um francês que se intitulava ateu (André Lorulot foi um pensador livre e anarquista individualista francês nascido 23 de outubro de 1885 em Paris. Ele explicou muitas vezes suas ideias anticlericais, incluindo o seu mais famoso livro Por que eu sou um ateu, publicado em 1933, via wikipedia.

Meu amigo me enviou apenas três perguntas retiradas do livro do autor francês, na verdade, de uma tradução em Esperando do referido livro, o qual é composto por diversas perguntas que tem como objetivo colocar em cheque a existência de Deus.

Aceitei o desafio. Hoje vou compartilhar aqui as minhas respostas. Antes de mais nada, é bom lembrar que eu sou bíblico. Ou seja, creio que a Bíblia é a palavra de Deus revelada ao homem. Por isso, todas as minhas respostas estão baseadas nela e recheadas de citações dela.

Tentei ser conciso, mas não consegui. Meus comentários acabaram ficando um pouco longos. Me perdoem por isso. Mas creio que assim as respostas serão mais precisas e menos superficiais.
Para melhor visualização, alterei as cores das perguntas, colocando-as em vermelho. Meus comentários seguem após cada pergunta, em preto.

Eis as respostas:

A 1ª pergunta vem da página 32 (da tradução em Esperando):

“O mundo iniciou-se. Ele é trabalho do Deus anterior existente – que é eterno, infinito, não criado. Afinal de contas, antes da criação do Mundo, que fez o seu Deus? Em que ele ocupou a sua eternidade? O seu Todo-Poder?

Em nada. Quando se é infinitamente perfeito, não se precisa de nada nem de ninguém. Mas então, porque, subitamente ele começou a sentir o desejo de criar o mundo? Subitamente ele precisou de distração?”

Comentário do meu amigo: escapa totalmente ao nosso entendimento tudo o que se refere aos desígnios e atributos divinos. Em sendo assim, devemos ter cuidado sobre o que dissermos baseados em nossas convicções, para não gerarmos incrédulos.

Meus comentários sobre este questionamento:

Seu entendimento sobre os cuidados que devemos ter em relação às nossas convicções está correto. Algumas questões de Deus não nos foram reveladas. Provavelmente porque não nos dizem respeito. Afinal, tudo o que foi revelado ao homem tem um propósito divino, que é este: Mostrar Deus ao homem, através de Jesus Cristo (ou fazer-se conhecer através dEle), para que, por meio dEle seja restaurada nossa comunhão com o Pai, no filho, a fim dEle mesmo se glorificar e de nós o glorificarmos. E, para que vivamos eternamente com Ele, depois de sermos ressuscitados no último dia.

Referências bíblicas:

Nem tudo nos foi revelado, mas o que foi tem um propósito específico – “As coisas encobertas pertencem ao Senhor nosso Deus, porém as reveladas nos pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.” (Deuteronômio 29:29)

O propósito do que nos foi revelado é revelar o Pai, no filho, para nossa comunhão com o Pai – “O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo.” (1 João 1:3)

Jesus veio nos revelar o Pai e nos mostrar (e ser) o caminho até Ele – “Deus nunca foi visto por alguém. O Filho unigênito, que está no seio do Pai, esse o revelou.” (João 1:18). “Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. Se vós me conhecêsseis a mim, também conheceríeis a meu Pai; e já desde agora o conheceis, e o tendes visto.” (João 14:6-7).

Crendo em Jesus, restabelecemos a comunhão e temos a vida eterna – “Porquanto a vontade daquele que me enviou é esta: Que todo aquele que vê o Filho, e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.” (João 6:40)

Bom, mas isso não responde a questão. O que Deus fazia antes de criar o mundo? Como ele ocupava a eternidade dEle? E porque subitamente ele precisou de nós (ou de distração, como disse o autor da pergunta)?

Eu creio que as respostas a tais perguntas também foram, de certa forma, reveladas. Por isso, vou tentar respondê-las.

Primeiro precisamos entender a questão tempo. O nosso tempo (eras, anos, dias, meses…) são iguais aos de Deus? Ou melhor: Deus se submete a questão tempo da mesma forma que a sua criação? A resposta é NÃO!

“Mas, amados, não ignoreis uma coisa, que um dia para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia.” (2 Pedro 3:8).

O tempo, como o conhecemos hoje, não existia antes da criação. Foi na criação do mundo que Deus criou a noção de espaço e tempo.

“E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. [Deus criando a noção de dia e noite] (…) E disse Deus: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. [Deus criando a noção de dias, anos e tempos] E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Deus os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, E para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu Deus que era bom.” (Gênesis 1:5 e 14-18).

Portanto, não dá pra querer comparar o tempo de Deus com o nosso tempo. Deus vê o ontem, o hoje e o amanhã. Para ele não há tempo. “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso. (Apocalipse 1:8)

Então não dá para respondermos o que Ele fazia para “ocupar seu tempo” antes da criação, já que Ele mesmo foi quem criou essa nossa noção de tempo.

Apesar disso, aquilo que nos foi revelado [através da sua palavra] mostra algumas coisas que Deus fazia ANTES DA CRIAÇÃO. Vejamos:

Salomão, em Provérbios 8, profetizando sobre Jesus (no texto retratado como a sabedoria de Deus), nos mostra que antes da criação do mundo, Jesus já existia, era amado por Deus e alegrava-se em Deus e foi o arquiteto da criação, sem o qual nada se fez. Vou destacar apenas alguns versículos chave, o texto completo pode ser lido direto na bíblia.

“O Senhor me possuiu no princípio de seus caminhos, desde então, e antes de suas obras. Desde a eternidade fui ungida [a sabedoria – Jesus], desde o princípio, antes do começo da terra. Quando ainda não havia abismos, fui gerada [a sabedoria – Jesus], quando ainda não havia fontes carregadas de águas. Antes que os montes se houvessem assentado, antes dos outeiros, eu fui gerada. Ainda ele não tinha feito a terra, nem os campos, nem o princípio do pó do mundo. Quando ele preparava os céus, aí estava eu, quando traçava o horizonte sobre a face do abismo; Quando firmava as nuvens acima, quando fortificava as fontes do abismo, Quando fixava ao mar o seu termo, para que as águas não traspassassem o seu mando, quando compunha os fundamentos da terra. Então eu estava com ele, e era seu arquiteto; era cada dia as suas delícias, alegrando-me perante ele em todo o tempo; Regozijando-me no seu mundo habitável e enchendo-me de prazer com os filhos dos homens. Agora, pois, filhos, ouvi-me, porque bem-aventurados serão os que guardarem os meus caminhos. Ouvi a instrução, e sede sábios, não a rejeiteis. Bem-aventurado o homem que me dá ouvidos [a sabedoria – Jesus], velando às minhas portas cada dia, esperando às ombreiras da minha entrada. Porque o que me achar [a sabedoria – Jesus], achará a vida, e alcançará o favor do Senhor. Mas o que pecar contra mim violentará a sua própria alma; todos os que me odeiam amam a morte. (Provérbios 8:23-36)

A mesma ideia é retratada por João (agora chamando Jesus de “o Verbo”), no capítulo 1, versos de 1 a 3: “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem ele nada do que foi feito se fez.”

Ou seja, antes da criação do mundo, Jesus já existia, ele era Deus, ele estava com Deus, e foi para Ele e por Ele e através dEle que tudo foi feito.

Então, o que Deus fazia antes da criação? Antes da criação do mundo, Deus AMAVA Jesus, seu filho – “Pai, aqueles que me deste quero que, onde eu estiver, também eles estejam comigo, para que vejam a minha glória que me deste; porque tu me amaste antes da fundação do mundo.” (João 17:24)

E o que mais Deus fazia antes da criação do mundo? Antes da criação do mundo, Deus planejava TUDO sobre nós. Ele já sabia que pecaríamos e já havia preparado (ou predestinado) o meio para alcançarmos a sua redenção – Jesus Cristo, o primogênito – “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo; Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos Santos e irrepreensíveis diante dele em caridade; E nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade.” (Efésios 1:3-5)

Porque fomos criados? Para Jesus, o primogênito de toda a criação – “O qual é imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação; Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam dominações, sejam principados, sejam potestades. Tudo foi criado por ele e para ele. E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele. E ele é a cabeça do corpo, da igreja; é o princípio e o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha a preeminência. Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse, E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.” (Colossenses 1:15-16).

Uma curiosidade: Antes da fundação do mundo (ao menos do mundo visível a nós), Deus já havia criado também os anjos, os quais foram testemunhas da criação do mundo. Deus perguntou a Jó: “Onde estavas tu, quando eu fundava a terra? (…) Quando as estrelas da alva juntas alegremente cantavam, e todos os filhos de Deus [anjos] rejubilavam?” (Jó 38:4,7).

E porque Deus criou os anjos? Para fazer a vontade de Deus. Eles foram criados para serem instrumentos de Deus ou Seus agentes para realizarem a Sua obra. (A palavra “anjo” significa “mensageiro” ou “agente”). A Bíblia diz: “Bendizei ao Senhor, anjos Seus, magníficos em poder, que cumpris as Suas ordens, obedecendo à voz da Sua Palavra.” (Salmo 103: 20).

Assim como os anjos são invisíveis para nós, assim também é a sua obra. Estou convencido de que quando chegarmos ao céu vamos ficar surpreendidos quando descobrirmos todas as coisas que Deus fez através dos Seus anjos.

Todavia não devemos adorar os anjos ou dar-lhes demasiada atenção, pois só Cristo é a fonte da nossa salvação. Veja como um anjo repreendeu João, após ele se prostrar diante do anjo: “E disse-me: Olha, não faças tal; porque eu sou conservo teu e de teus irmãos, os profetas, e dos que guardam as palavras deste livro. Adora a Deus.” (Apocalipse 22:9).

Resumindo: Deus, antes da criação do mundo, ocupava sua eternidade amando Jesus, seu filho. Já haviam anjos que cumpriam suas ordens e obedeciam sua palavra. Por amor a Jesus, Deus nos criou. Por Jesus, para Jesus e através de Jesus. Mas nós, ao contrário de Jesus – que se alegrava em Deus – não glorificamos a Deus, mas o rejeitamos. Então Deus, por amor a nós, enviou seu filho amado para morrer por nossos pecados. Por sua morte, Deus reconcilia consigo TODAS as coisas (do céu e da terra). E, através de Jesus nos foi dado o privilégio de sermos feitos filhos de Deus por adoção, sendo Jesus o primogênito, a fim de que o seu nome seja glorificado eternamente.

De qualquer forma, Deus é enfático ao afirmar que os seus pensamentos não são os nossos pensamentos. Ele está muito além da nossa compreensão – “Porque os meus pensamentos não são os vossos pensamentos, nem os vossos caminhos os meus caminhos, diz o Senhor. Porque assim como os céus são mais altos do que a terra, assim são os meus caminhos mais altos do que os vossos caminhos, e os meus pensamentos mais altos do que os vossos pensamentos.” (Isaías 55:8-9).

As vezes penso que Platão entendia isso quando ele estabeleceu a famosa diferença entre o mundo sensível (o mundo concreto no qual vivemos) e o mundo das ideias – eidos, em grego. Segundo sua descrição, no início dos tempos, havia apenas as ideias – o Bem, a Verdade, o Humano, etc – até que um ser supremo decidiu criar coisas a partir das mesmas. Essa teria sido a origem do mundo e de tudo que há nele (as pessoas, as sociedades, os costumes, e assim por diante). Para Platão, essas obras foram ricas, porém imperfeitas: baseavam-se em ideias perfeitas, mas eram apenas CÓPIAS.

A 2ª pergunta vem da página 55:

“Que o tigre agradeça a Deus, porque deu a ele dentes sólidos, está tudo bem. Mas o carneiro, a gazela? Eles glorificam o Altíssimo, que os fez, para que servissem à voracidade dos carnívoros?

O mundo é abominável arena, sobre o qual flui constantemente o sangue. Em todo o lugar e ininterruptamente o fraco é oprimido, esfolado, devorado pelos fortes. Na vasto turbilhão da vida no universo não há nem beleza nem justiça. Dor, terror, crime!”

Pergunta do meu amigo: como conciliar a infinita bondade e misericórdia divinas, diante dessa realidade da cadeia alimentar animal?

Meus comentários sobre este questionamento:

Como falei anteriormente, Deus, através de Jesus Cristo, busca reconciliar consigo TODAS, as coisas no céu e na terra. Logo, isso inclui não só a raça humana, mas toda sua criação. Todas as coisas são todas as coisas.

Mas, se só o homem pecou, porque Deus precisaria reconciliar consigo o resto da criação? A resposta é simples. O pecado do homem causou um dano terrível em toda a criação divina. A Bíblia mostra isso desde a queda do homem. Vejamos:

Deus diz a Adão, após o pecado original – “E a Adão disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás. (Gênesis 3:17-19)

Por causa do pecado, Deus amaldiçoou a terra. Percebe-se, pelo texto, que não haviam sequer espinhos na terra antes da queda do homem. Já imaginou que lindo podermos segurar uma rosa e não termos que nos preocupar com seus espinhos. Era assim antes. Mas o pecado contaminou a terra.

É justamente por essa razão que toda a criação hoje espera ardentemente que os filhos de Deus se revelem e que mudem e que se convertam, para que possam parar de sentir dores. Sim, a natureza e todo o reino animal sofre e sente dores por causa do nosso pecado. E toda a natureza está na expectativa da nossa redenção.

Vemos isso claramente aqui – “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus. Porque a criação ficou sujeita à vaidade, não por sua vontade, mas por causa do que a sujeitou, Na esperança de que também a mesma criatura será libertada da servidão da corrupção, para a liberdade da glória dos filhos de Deus. Porque sabemos que toda a criação geme e está juntamente com dores de parto até agora.” (Romanos 8:19-22)

A realidade que vivemos hoje, no que se refere a natureza e a sua cadeia alimentar, é fruto da vaidade humana. No princípio não era assim e, no final, também não será assim.

O profeta Isaias, ao descrever a nova terra (onde haverá justiça, e que será herdada por todos aqueles que creram em Cristo e entregaram suas vidas ao Seu senhorio, os quais serão transformados na glória do Pai, serão cheios do seu Espírito Santo e onde não haverá mais choro nem ranger de dentes), mostra como será a natureza nesse lugar maravilhoso:

“Porque brotará um rebento do tronco de Jessé [Jesus], e das suas raízes um renovo frutificará. E repousará sobre ele o Espírito do Senhor, o espírito de sabedoria e de entendimento, o espírito de conselho e de fortaleza, o espírito de conhecimento e de temor do Senhor. E deleitar-se-á no temor do Senhor; e não julgará segundo a vista dos seus olhos, nem repreenderá segundo o ouvir dos seus ouvidos. Mas julgará com justiça aos pobres, e repreenderá com eqüidade aos mansos da terra; e ferirá a terra com a vara de sua boca, e com o sopro dos seus lábios matará ao ímpio, E a justiça será o cinto dos seus lombos, e a fidelidade o cinto dos seus rins. E morará o lobo com o cordeiro, e o leopardo com o cabrito se deitará, e o bezerro, e o filho de leão e o animal cevado andarão juntos, e um menino pequeno os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, seus filhos se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi. E brincará a criança de peito sobre a toca da áspide, e a desmamada colocará a sua mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.” (Isaias 11:1-9)

Hoje não é assim porque vivemos num mundo onde não habita a justiça. “Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, em que habita a justiça.” (2 Pedro 3:13)

Hoje não é assim porque “(…) todo o mundo está no maligno” (1 João 5:19b).

Hoje não é assim porque somos maus, nosso coração é mau, nossos pensamentos são maus… “E viu o Senhor que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.” (Gênesis 6:45).

Hoje não é assim porque nós nos desviamos do bem… todos nós… “Desviaram-se todos e juntamente se fizeram imundos: não há quem faça o bem, não há sequer um.” (Salmos 14:3) – “Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.” (Romanos 3:12) – “Mas todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades como um vento nos arrebatam.” (Isaias 64:6).

Ou seja, nós, por nós mesmos, somos maus. Nossa natureza carnal é pecaminosa e não consegue produzir o bem – nossos atos de justiça são como trapos sujos. Por isso, precisamos nascer de novo, assim como Jesus explicou a Nicodemos: “Jesus respondeu, e disse-lhe: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus. Disse-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? Pode, porventura, tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer? Jesus respondeu: Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus. O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito. Não te maravilhes de te ter dito: Necessário vos é nascer de novo.” (João 3:3-7).

Nascer de novo em água é sermos batizados em nome de Jesus (para arrependimento). É professar publicamente a nossa fé nEle, como nosso suficiente senhor e salvador. É crer que a sua obra expiatória na cruz é suficiente para nossa salvação e que isso não depende de nós mesmos, nem do que façamos, é graça de Deus, por meio da fé (não vem das obras, para que ninguém se glorie – Efésios 2:8-9). Crendo assim, nasceremos também em espírito, pois, nesse momento, receberemos o selo do Espírito Santo, que passa a habitar no crente transformando-o em nova criatura, que passou da morte para a vida. Esse selo do Espírito Santo é o penhor (garantia) da nossa salvação em Cristo.

Resumindo: O mundo é uma abominável arena? HOJE SIM! Sobre o qual flui constantemente o sangue? HOJE SIM! Em todo o lugar e ininterruptamente o fraco é oprimido, esfolado, devorado pelos fortes? HOJE SIM! Na vasto turbilhão da vida no universo não há nem beleza nem justiça? HOJE NÃO! Apenas Dor, terror, crime? HOJE SIM!

Mas!!!!! Isso não é culpa de Deus, é nossa. Não é porque Deus deixou de ser bondoso ou misericordioso, mas porque, além de bondoso e misericordioso ele é Santo e Justo. Sendo Deus Santo e Justo, ele não tolera a maldade dos nossos corações. Por isso precisamos nos entregar ao Seu senhorio, para que Ele nos dê um novo coração, um coração cheio do seu Espírito. Como? Jesus Cristo é a resposta. “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo” (2 Coríntios 5:17).

Deus deixou de ser bondoso e misericordioso? Absolutamente Não! – “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos, porque as suas misericórdias não têm fim;” (Lamentações 3:22). Se não fosse as misericórdias de Deus, nós já estaríamos mortos. A sua bondade nos mantém vivos por um motivo: “O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para conosco [bondoso, generoso], não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.” (2 Pedro 3:9). Ou seja, por sua bondade Ele está nos dando tempo… tempo para nos arrependermos e, assim, sermos salvos.

Uma curiosidade sobre a cadeia alimentar: Na criação, antes do pecado, homens e animais comiam apenas vegetais: “E disse Deus: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser-vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi.” (Gênesis 1:29-30). Só fomos autorizados a comer carne depois do dilúvio: “E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues. Tudo quanto se move, que é vivente, será para vosso mantimento; tudo vos tenho dado como a erva verde. (Gênesis 9:2-3).

A 3ª pergunta, semelhante à anterior, vem da página 57:

Que bela bolsa de pele de lagarto, não é mesmo senhora? Ora, você sabe a consequência dessa moda ao povo de bengala? Por favor ouça-me: Os lagartos, cuja pele vai para o coureiro, nutrem-se de insetos e também por ovos de serpentes e de filhotes de serpentes. Aquelas serpentes são venenosas. Como os lagartos diminuem, as serpentes aumentam e em consequência a morte de indígenas.

“Tudo se contém na natureza equilibrada pela superior sabedoria de Deus” (“O peregrino”, 18 de agosto de 1920). “O Peregrino” não é difícil de ser contentado. O seu bom Deus não teria feito uma melhor ação … não criando a serpente?

Meus comentários sobre este questionamento:

O erro do ateu, no meu entender, é sempre querer limitar a soberania de Deus à sua própria existência. Como se Deus estivesse obrigado a nos dar algo ou nos ajudar ou a nos manter vivos. Como se Deus tivesse uma dívida conosco. E isso é um terrível erro. Deus não nos deve nada. Nós é que devemos tudo a Deus.

Na questão da serpente, o autor novamente se esquece que antes do NOSSO erro, tudo era bom. Vejamos:

“E disse Deus: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez Deus as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Deus que ERA BOM.” (Gênesis 1:24-25).

E, como disse antes, por causa do NOSSO pecado, a terra sofreu maldição. Ela se contaminou pela nossa vaidade, não por culpa dela (da terra ou de Deus, mas nossa). Por isso, alegar que Deus não existe em razão dos nossos erros e dos nossos desmandos para com a natureza já é em si uma premissa errada.

De quem é a terra e o mundo todo? “Do SENHOR é a terra e a sua plenitude, o mundo e aqueles que nele habitam.” (Salmos 24:1).

Mas a quem Deus delegou a tarefa de cuidar da terra? “E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. [domínio: ter autoridade ou poder sobre].” (Gênesis 1:28) – “Os céus são os céus do Senhor; mas a terra a deu aos filhos dos homens.” (Salmos 115:16).

Ou seja, no plano de criação de Deus, tudo era bom e perfeito. O homem exerceria domínio sobre a terra e tudo que nela há (incluindo animais). Esse domínio, não fosse o pecado, seria bom, justo, santo, correto, digno, etc… Mas, como eu disse, o pecado estragou tudo.

Simplesmente falar que Deus teria sido mais sábio eliminando as serpentes apenas corrobora meu entendimento de que o autor pensa que ele é mais importante do que Deus. Afinal, se é o homem quem mata o lagarto para lhe tirar a pele, e, em consequência disso, acaba matando o povo de bengala, não seria mais sábio matar o homem? Já que é o homem, no fim das contas, quem está causando tudo isso? Vaidade das vaidades, como diria Salomão.

Termino citando um trecho do Livro de Jó, que fala sobre o senhorio de Deus sobre todas as coisas, ainda que tenha entregue o governo da terra ao homem:

“Também, na verdade, Deus não procede impiamente; nem o Todo-Poderoso perverte o juízo. Quem lhe entregou o governo da terra? E quem fez todo o mundo? Se ele pusesse o seu coração contra o homem, e recolhesse para si o seu espírito e o seu fôlego, Toda a carne juntamente expiraria, e o homem voltaria para o pó. Se, pois, há em ti entendimento, ouve isto; inclina os ouvidos ao som da minha palavra. Porventura o que odiasse o direito se firmaria? E tu condenarias aquele que é justo e poderoso? Ou dir-se-á a um rei: Oh! Vil? Ou aos príncipes: Oh! ímpios? Quanto menos àquele, que não faz acepção das pessoas de príncipes, nem estima o rico mais do que o pobre; porque todos são obras de suas mãos. Eles num momento morrem; e até à meia-noite os povos são perturbados, e passam, e os poderosos serão tomados não por mão humana. Porque os seus olhos estão sobre os caminhos de cada um, e ele vê todos os seus passos. Não há trevas nem sombra de morte, onde se escondam os que praticam a iniqüidade.” (Jó 34:12-22)

Enfim, eu responderia assim ao ateu. E você, como responderia?

Por Kerwin Muriel

Kerwin Muriel

É formado em Direito pela Universidade de Cuiabá e pós-graduado em Gestão Pública do Poder Judiciário pela UNIFLU-RJ. Bacharelando em Teologia pela Escola Teológica Charles Spurgeon. Casado com Cleynise e pai da Nicolye.

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