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Um Recado ao Sabiá

Um Recado ao Sabiá

Na semana passada, pregando sobre o futuro reino milenar de Cristo, eu falei sobre o livramento da criação que hoje vive sujeita à vaidade, sob o cativeiro da corrupção, enquanto geme e suporta angústias (Rm 8.19-22). Eu destaquei que essa condição da criação é vista, inclusive, na “inimizade” que há entre as diferentes espécies de criaturas e até dentro de uma mesma espécie. Essa “inimizade” nos afeta também e, para ilustrar isso, eu falei dos ataques que sofri de uma ave que construiu seu ninho no quintal da minha casa.

Ao final do sermão, muitas pessoas vieram me perguntar sobre a identidade do terrível pássaro. Com base numa pesquisa feita na Internet, eu havia dado algumas informações sobre a ave durante o sermão, mas não me lembrava o nome da espécie. Pois bem, o nome é sabiá-do-campo (mimus saturninus), também conhecido como tejo-do-campo, calhandra, arrebita-rabo, galo-do-campo, papa-sebo e outras denominações.

Conforme eu disse aos irmãos, esse pássaro, na tarefa de cuidar dos filhotes, trabalha numa equipe formada por três indivíduos. Os casal de pais cuida da alimentação dos filhotes e um terceiro pássaro atua como guardião e protetor, afugentando quem se aproxima do ninho. Foi com um desses guardiões que eu tive sérios problemas de relacionamento! Como o ninho ficava bem na frente da porta de saída de casa, toda vez que eu botava a cara pra fora, lá vinha o guardião que, a princípio, soltava um chiado agudo para avisar que eu estava invadindo área proibida. Dando eu mais um passo, ele voava até a grade do muro e, pousando ali, se inclinava ameaçadoramente dizendo com os olhos: “Se eu fosse você, pensaria bem antes de dar mais um passo”. Em seguida, tendo que chegar até o portão, eu ia em frente com o coração na mão. Então, o guardião avançava e, num voo rasante, batia as asas na minha cabeça. O ataque sempre surtia efeito. Eu corria depressa para a rua. Aí o pássaro pousava sobre o muro e fixava os olhos em mim, numa postura de quem diz: “E não volte nunca mais!”.

Por cerca de duas semanas eu vivi essa aventura. Achei que, com o tempo, o guardião se acostumaria comigo e aceitaria uma convivência pacífica. Ademais, se existe alguma justiça neste mundo, aquele pássaro haveria de, cedo ou tarde, reconhecer que aquele lugar era meu! Eu havia chegado primeiro e construído meu ninho ali muito antes dele e de seus comparsas invasores. Doce ilusão! O guardião nunca baixou a guarda e só foi embora porque os filhotes cresceram e foram cuidar da vida em outro lugar.

Ilustrei assim, o modo como a criação geme e se angustia. O guardião tinha medo, se sentia ameaçado, arriscava a vida enfrentando um inimigo muito maior do que ele (na verdade, não muuuuito maior!) e não descansava, dia e noite, velando pelos filhotes sempre em perigo, com gaviões, cobras, lagartos e pastores andando por perto.

Paulo diz, porém, que um dia a criação será liberta disso tudo. Na palingenesia (regeneração), quando o reino deste mundo se tornar do Senhor e do seu Cristo (Ap 11.15), quando o trono de Davi for ocupado pelo seu santo descendente (Lc 1.32), quando o Senhor reger as nações com cetro de ferro (Ap 19.15), quando a Jesus for dado o domínio, a honra e o reino, para que todos os povos, nações e línguas o sirvam (Dn 7.14), então se realizará a ardente expectativa da criação e, finalmente, a velha profecia de Isaias 11.6-9 se cumprirá:

O lobo habitará com o cordeiro, e o leopardo se deitará junto ao cabrito; o bezerro, o leão novo e o animal cevado andarão juntos, e um pequenino os guiará. A vaca e a ursa pastarão juntas, e as suas crias juntas se deitarão; o leão comerá palha como o boi. A criança de peito brincará sobre a toca da áspide, e o já desmamado colocará a mão na cova do basilisco. Não se fará mal nem dano algum em todo o meu santo monte, porque a terra se encherá do conhecimento do Senhor, como as águas cobrem o mar.

Será, pois, nesse reino futuro, histórico, sólido e palpável que teremos paz sem fim. Ali o nosso coração e o coração dos pássaros não provarão mais o medo, pois toda ameaça cessará, toda inimizade terá fim e os ninhos dos sabiás-da-terra não precisarão mais de guardiões.

Agora uma palavrinha ao pássaro da minha aflição:

Prezado sabiá-da-terra,

Vejo que você canta pouco. Geralmente só grita comigo para me assustar. Vejo também que não sou para você uma presença agradável (e a recíproca, pra ser sincero, é verdadeira). Percebo ainda que você vive atormentado, sempre em guarda, pronto para atacar todos os que se aproximam. Isso, confesso, me incomoda bastante. Devo, porém, dizer que temos muito em comum. Eu também canto pouco, também tenho temores, também vivo na defensiva, vagando num mundo caído que jaz no maligno. E mais: a expectativa ardente que você nutre — a de ser liberto do cativeiro da corrupção — eu também nutro. Veja: temos mesmo muito em comum! Por isso, tente “pegar leve” comigo. Da minha parte vou entender o seu lado e até protegerei você. O que acha de, por enquanto, levarmos as coisas assim? Seja paciente. No reino futuro, sob o Príncipe da Paz, sei que seremos bons amigos e, com certeza, conviver ali com você será bico (sem ironia).

Pr. Marcos Granconato
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